a chuva passou por cá e mudou as rimas.
desfez os versos.
montou o quebra-cabeça ao contrario
e vestiu-me a blusa do avesso.
arremeçou sem medir.
fez-me pular sem ter onde cair e pedir sem saber o que queria receber.
a chuva inundou de sentidos e sensações um pequeno coração que antes era apenas vazio.
a chuva alagou e desabrigou muito de mim.
mas trouxe novos peixes pro meu riacho.
tornou minha grama mais verde, mesmo que o meu dia tenha sido mais cinza.
a chuva arrancou - me suspiros pela janela embaçada.
e preparou "bolinhos-da-chuva".
a chuva trouxe doçura e acidez aos meu dias.
lavou a roupa suja e encheu de lama os meus sapatos.
e então percebo: a chuva que caí não é mesma que bebo.
" esta chuva ingrata que não vai parar, pra aliviar a minha dor "
(ritmo de chuva – los hemanos)
